GG-SP: Um assassino.


(PARTE#1http://www.thepinkgeeks.com.br/2012/05/gg-sp-uma-pequena-palha-sobre-o-que.html)

Deu algumas tossidas enquanto o ronco faminto do metro se aproximava ferozmente. Ela olhou para frente com o rosto abatido.
- Maldita hora que pego um resfriado. - Resmungou com a voz já rouca. - Maldita seja a hora!
Não haviam suspiros ou conversas no vagão. As poucas almas permaneciam quietas naquele Domingo entediante. Olhou para os lados em busca de um rosto solidário. Ninguém.
Ratos devem fazer mais barulhos que eles, pensou.
- E eu nem trouxe meu portátil... - Soltou um suspiro arenoso.

Chegou.
Saiu.
Subiu.
Desceu.
Parou.
Olhou.
Sentou.
Esperou.
Mais uma vez estava ali esperando o trem. Mais uma vez desejava estar em um quadrinho de Bryan Lee O'Malley. Quem sabe se tivesse cabelo azul...
- Céus, que demora! Vou chegar atrasada.
- Não irá não. - Uma voz grossa surge atrás dela. Um cara com capuz, alto, sombrio para ao seu lado e observa a ferrovia. Seus olhos negros voltam a olhar para a sua cara, perplexa.
- Ok...
- Olhe quantos prédios tem aqui.
- Oi?
- Prédios. Muitos prédios.
Seus olhos apertam um pouco e ela começa a se levantar para ir longe daquele cara estranho. Ele nota e passa um pouco à frente dela levantando uma das mãos. Ele tira o capuz.
- Olha, se você vai me roubar...
- Roubar? Nunca. Quero te mostrar como chegar mais rápido até o local que você quer ir.
- Você por acaso tem uma portal gun? Uma airwing? Ou vai me dizer que você veio do InFamous?
Ela notou uma expressão um pouco confusa da parte dele, mas deu de ombros e saiu. Ele correu novamente em sua frente, olhou para ela, foi em direção à uma parede e a escalou. Ela o olhou se pendurar em algumas vigas, passar por baixo de um vão de concreto com facilidade e descer novamente com uma leveza impecável.
- Cara...
- É isso que estou tentando te dizer. Vamos!
- Cara... você faz parkour?
- Parkour? O que ser parkour?
- Cara...
Quando ele viu, ela já estava indo o mais longe possível dele.
- Espere. - Gritou com seus pulmões supostamente italianos.
- O que, esquisito?
- Eu, eu sou... - Segurou a respiração um pouco e soltou. - Sou um assassino.
- Pronto! Mais um lunático por um Auditore.
- Mas eu sou Ezio Auditore.
- E eu sou a Harley Quinn.
- Harley... que?
- Esquece. - Passou a mão no rosto. - Até parece que vou até Osasco correndo entre prédios. Na moralzinha né?!
Nesse momento, um rapaz a empurra sem querer. Ela fecha a cara e rosna alguma coisa baixinho.
- Quer que eu elimine ele? - Ele mostra uma faca escondida em seu punho, aparentemente acionada conforme mexia o pulso. Ela olhou assustada e o xingou.
- O que? Estou te oferecendo proteção e ajuda para chegar no seu destino...
- Você vai ganhar florins e experiencias? - Disse sarcasticamente.
- Vou te provar que sou o Ezio...
- Andando entre as pessoas e empurrando com delicadeza? Ou matando algum guarda? Cadê cicatriz na boca, cadê?
- Aqui. - Apontou com um sorriso.
E o trem chegou no exato momento em que ela abriu sua boca como um cyborg soltando lasers nele. Ela realmente desejava um Terminator chutando a bunda daquele cara chato e louco. Nem parecido com o Ezio de sua imaginação mais profunda ele era.
Era apenas um cara.
Um cara louco.

- Acho que vi o Ezio Auditore.
- O que?
- Pois é, meu dia foi estranho.
- Tomou que remédio hoje?
- Acho que algum que tenha me feito delirar. E ainda delirar do modo mais falho possível.
- Like a fail?
- Pois é.
Ele deu uma risada. Notava-se um sorriso em sua voz e uma curiosidade.
- Ele era como esperava?
- Não. Feio, chato e superprotetor. Acho que era um canceriano até pela ultima parte... - Aconchegou-se mais em sua cama pão-pullman e fechou os olhos.
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